Chronique par Nuno Catarino sur Bodyspace (7 mars 2013)

Da França, improvisação frenética.

O grupo formado por Eve Risser (piano preparado), Benjamin Duboc (contrabaixo) e Edward Perraud (percussão) é uma formação claramente atípica. O trio atravessa a intrincada neblina da improvisação livre, mas raramente se deixa levar pelas soluções do costume ou se deixa cair nos típicos “clichés”. Este grupo francês não é um “trio de piano” e a sombra do jazz está bem longínqua, evocada apenas na natureza livre da música.

O piano de Eve Risser não é um simples piano. Risser atira diversos objectos para o interior do piano, que pressionam as cordas, desvirtuando o típico som do instrumento, criando algo novo, estranho, surpreendente. A percussão de Perraud é nervosa, nunca se fica por um ritmo estável, vai alternando frequentemente os objectos que utiliza para percutir, acrescentando sempre sons novos, deslumbrantes. O contrabaixo de Duboc completa a trindade, funcionando como o ponto de união, âncora estável que segura o trio de toda a turbulência.

Estranhamente, tratando-se de improvisação produzida por três instrumentistas com uma assumida vertente experimental, a música desenvolvida por este grupo acaba por evoluir de forma consistente, funcionando como uma onda que vai crescendo, que se vai lentamente modificando, mas seguindo um eixo permanente. Os dois temas (longos) que fazem o disco En Corps vivem assim dentro de uma certa evolução controlada. Entre a hipnótica vertigem do piano adulterado de Eve Risser, o contrabaixo robusto de Duboc e a percussão irrequieta de Perraud, nasce uma música frenética e esquizofrenicamente aliciante.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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