Chronique par João Santos dans Op. Doodles (27 février 2013)

Risser, Duboc e Perraud tratam, num dispositivo praticamente antipodal com o da maior parte da improvisação não idiomática, de uma música vestigial que só na aparência emprega uma metodologia reducionista. A sua audição assemelha-se muito à experiência de vaguear por um casarão abandonado, repleto de indícios de vidas que frustram qualquer explicação lógica até ao momento em que, na última das suas salas, um álbum de fotografias permite colocá-las em perspetiva. Porque, longe de um retrato fragmentário e inconclusivo, tudo aqui – metamorfoseados piano, contrabaixo e bateria a ranger, urrar, tinir e guinchar em dois longos temas – se materializa graças a uma invulgar gestão do tempo que, numa exposição quase retrospetiva, faz coincidir com o seu final a revelação do evento que teoricamente lhe poderia estar na origem. O processo é misterioso, mas torna visível o que até então era apenas latente, jamais priorizando cada fase e insinuando traduzir um ato de imaginação em curso. O trio estreia-se por cá no próximo dia 5, embora os seus constituintes sejam já conhecidos do público lisboeta: a pianista Eve Risser, em 2012, passou pelo CCB integrada na Orchestre National de Jazz, numa apresentação de “Around Robert Wyatt”; Benjamin Duboc andou, há uma mão cheia de anos, na mesma instituição, pelo ciclo Jazz às 5as, chegando a gravar “Afterfall”, para a Clean Feed; Edward Perraud, inserido nos Das Kapital, esteve no Jazz em Agosto de 2012 e, com os Hubbub, no de 2007. Contrabaixista e baterista gravaram em duo “Etau”, em 2005, para a Creative Sources, e, com Jean-Luc Guionnet, “Moon fish”, em 2012, para a Clean Feed.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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